A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma. (Colasanti, M)
“Patético não é? Querer fugir de si mesmo.
— Isabella M.
“O mundo fica mais bonito quando a gente carrega coisas boas no peito.
—
Clarissa Corrêa (via
allaxg)
“Mas se um dia eu chegar
Muito estranho
Deixa essa água no corpo
Lembrar nosso banho
Mas se um dia eu chegar
Muito louco
Deixa essa noite saber
Que um dia foi pouco
Minha cara prá que
Tantos planos
Se quero te amar e te amar
E te amar muitos anos
Tantas vezes eu quis
Ficar solto
Como se fosse uma lua
A brincar no teu rosto
Cuida bem de mim
Então misture tudo
Dentro de nós
Porque ninguém vai dormir
Nosso sonho.
— Nando Reis - Muito estranho